[Solstício de Verão]

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Minha filha com guirlanda
De flores frescas
na cabeça
Colhidas hora atrás
Pelo bosque
Em cesto de tiras
Pela filha, pela avó
Sogra da amiga.
 
Fada com menos de
Dois anos de idade
A minha filha
E as folhas colhidas
Verdes de verao
Balancam para a festa
Do sol.
Tradicoes na sua fronte
Violeta
Sueco-brasileira
De pessoa crescendo
Nas intersecoes
Fogo caldo falo e
Flor de culturas.
 
Os nordicos queridos
Saudam a chegada
Do dia mais longo de sol,
Disse Isabel,
Quando relogio planetario
Transforma-se
E esse dia eh hoje,
em junho,
quando
Bandeiras azul e amarela
saudam
Anfitrias aladas
A chegada da estacao
Dos mergulhos nos lagos
Escuros, 
Pelos deques de madeira,
Pelo silencio do arquipelago
Deserto
Abrindo passagem para os barcos
Familias nas pedras, nas ilhas
Amantes Com garrafas termicas
Mais cestos
E frutas ate o final do dia
Que clareia cedo
As 3 da manha. 
 
Noites curtas sao o
Verao
E o vestido bordado
Pelas maos francesas da Christelle
Agora veste a Liv,
Filha crescente
Na caravana de carros
Enfeitados por
Galhos vivos
Nos uivos extasiados
Dos que amam a patria
O sol,
A virada chegada de mais
Uma estacao, 
A da colheita, 
a que se danca em circulo
Em que se roda amores
Nas casas de campo.
 
Ha vasos com flores
Pelos cantos das mesas
Rastros da floresta
Escutam a cantoria
entoada
Batendo copos
Curtos
Com Snaps alcoolicos
Dourando destilados
Naquelas cancoes
vikings
Suecos sabem de cor
Aumentando volume
Arfando o peito
Ate os trilhos dos trolls
Esquecerem seus lugares
Tomados pela bonanca
Skåll! 
Do pertencer-se. 
 
Enquanto isso, 
Venho da terra
Onde junho É mes
De festas juninas
De sapatilha
Com bandeirinhas coladas
No barbante,
A quadrilha ensaiada
Mes inteiro para os passos
Interiores do brasil, sanfona
E vontade ritmada de
milho verde
Maca vermelha
tinindo amor
Nas barracas
Com fogueira
Para pular,
Estalinho no
Arraiá. 
 
Mas meus filhos
Crescem em solo
Que celebra
O descongelar-se
Com a rede de peixe,
Batatas sem casca
sao frescas, sao frescos
Os ovos tambem
Vem com terra do quintal
Meus filhos crescem
Com a terra florida
calcando
Quando se festeja o sol
Como sagrado
Raro-luz.
Nos quatro com guirlandas
Meus meninos tambem
vestem flores
Na Suecia linda feminista
Nesse cessar da espera
Pela liberdade
Que o Midsommar, solsticio
De verao,
Nos traz.

[Poesia de Domingo]

Acordei vindo. Até aqui para olhar palavras. As que tocam como os pés no mar, a areia: não afogo, alcanço. A completude do sol céu sal mar e grãos de areia. A errância graciosa dos pés, ora nado, ora mundo. Silêncio debaixo das ondas. O corpo quase nu, arrepiando. Tanto verso pinga no meu chão, escorre pelos passos dentro de casa, molha o azulejo: vim desse mar.

 

[Sandkorn]
Jag vaknade. På väg till dena plats för att observera ord. Ord som få mig att bottna tårna når sand i havet. Jag drukna inte, jag når. Fullständighet, sol, himmel, hav och sandkorn. Graciöst vandrade, ibland simmar jag, ibland är jag ett med världen. Tystnad under vågorna. Kroppen nästan naken, rysningar. Verser rinner ner på golver, droppar från steg i huset, blötes ner kaket. Jag kommer från detta hav.

 

Ilana Eleá